domingo, 4 de janeiro de 2015

A filosofia, além de ser a raiz da ciência, é o curativo da alma.


Mesmo, Eu. Hoje.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014




Que animal estranho é o homem, que se submete a limpar o lixo de alguém que diz ser seu superior em troca de migalhas; que aceita lutar guerras e abdicar da própria vida em nome do conforto daqueles que sentam em confortáveis tronos e assistem aos banhos de sangue enquanto se empanturram de requintados banquetes, troféus da fome endêmica.
Que animal estranho é o homem que pensa e, mesmo com a capacidade de pensar, prefere o conforto da submissão do que o desconforto do questionamento, abrindo mão da sua arma mais poderosa.
Somente a arte pode salvar um mundo em que nada faz sentido, pois, apesar dela correr o risco de também não fazer sentindo algum, ao menos conforta e eleva as almas indispostas ao não-pensar e estraçalhadas pelas dores da sobriedade.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Todo mundo quer falar, mas...

Havia um tempo em que a direita se inspirava em caras como Adam Smith e Milton Friedman. Hoje, a fonte de inspiração da reação facebookeana vem de sujeitos da estirpe de Lobão e Danilo Gentili. Sujeitos de discurso fácil, mas, ao mesmo tempo, tão vazios que só podem agregar à quem carece de conhecimento dos processos históricos e até mesmo de valores ideológicos básicos. Não que eu tenha alguma vez admirado as ideias de  gente como Milton Friedman, muito pelo contrário, mas é incrível como as coisas são capazes de piorar.

É nítido que a grande massa, voraz por participar das discussões políticas, muitas vezes têm dificuldade em reconhecer conceitos tão básicos e, diria mais, essenciais para uma discussão saudável, como os paradigmas que definem se uma ideologia está localizada à esquerda ou à direita da sociedade. Com isso, vemos um fenômeno que se atenua cada vez mais na população brasileira e que pode ser percebido principalmente nas redes sociais: o analfabetismo político-funcional. Este "fenômeno" cria bizarrices que, se não fossem trágicas e perigosas, parecem ter saído de alguma piada de mal gosto feita por estudantes de sociologia bêbados em uma mesa de bar qualquer ao comemorar o final do semestre. Dentre elas: 

- o pobre de direita, fruto do total desconhecimento do significado das correntes ideológicas. Ora, ser pobre e ser de direita é como ser colorado e torcer para que o grêmio ganhe o campeonato. Mais detalhes no vídeo abaixo.

- o umbiguista, que já usufruiu de bolsas criadas ou ampliadas exponencialmente pelo governo vigente, como bolsas para estudos (ensino técnico profissionalizante, graduação mestrado, doutorado, etc), e ainda assim considera um absurdo o caráter assistencialista do governo para com as famílias de regiões historicamente desassistidas, pois, graças ao ensino profissionalizante gratuito que teve acesso, felizmente não depende mais de nenhum programa social e, portanto, dane-se o resto.

- o xenófobo, que acredita que aqueles que usufruem de benefícios sociais são, sem restrições, vagabundos, tratando o povo nordestino com preconceito por ser o estado que, por razões históricas, tem uma maior dependência de programas sociais para o desenvolvimento da economia local. Muitos usam o famigerado argumento de que não se deve dar o peixe, mas sim, ensinar a pescar. Eu mesmo já usei este argumento, mas, após deixar o preconceito de lado e pesquisar com um pouco mais de sede pela verdade, me deparei com diversas mazelas sociais que o nordeste brasileiro sofreu e ainda sofre. Muitas das quais com origem ainda no período colonial e que por muito tempo foram desprezadas pelos governos que passaram por este país, legando aquele povo à miséria e tratamento desumano. Hoje sabemos que com 0,48% do PIB é capaz de resolver uma mazela histórica e ainda assim movimentar uma economia que até então estava estagnada e, para muitos, não tinha solução. Graças às famílias que hoje podem comprar um alimento melhor, foi possível expandir as redes de comércio das localidades, diversificando as fontes de geração de renda. Essas políticas levaram o Nordeste a ter um crescimento do PIB de mais de 4% no primeiro semestre de 2014.

Infelizmente  ainda  vemos  incontáveis  bizarrices  grotescas  como, por exemplo, o medo da invasão comunista.  Mesmo   argumento   que   conduziu  o  Brasil  aos 21 anos mais negros da sua história, e AINDA  ASSIM  o  povo  não  aprendeu. Exatamente  porque  desconhece  a  própria história. Ora, o preconceito tem origem na ignorância, no medo do desconhecido e pela ilusão proporcionada pela zona de conforto. Quanto  mais se desconhece a realidade e o que nos trouxe até onde estamos, maior é a recorrência ao fascismo que hoje está tão na moda, liderado por Bolsonaros, Malafaias e similares. Só espero que este  povo, ávido por discutir política, estude  a sua história, conheça a realidade, perca o preconceito e tenha noção das mudanças que clamam pro seu futuro.

Os governos no Brasil, do legislativo ao executivo, têm várias deficiências e problemas seríssimos que talvez eu dedique um post inteiro pra criticar e fazer este brainstorming  que me é tão necessário. Neste post eu resolvi focar apenas em alguns pontos absurdos que estão pipocando nas redes sociais nesta ressaca pós-eleições, os quais eu não poderia deixar passar sem agregar as minhas experiências baseadas nas pesquisas que faço por ser um estudante curioso da nossa histórica e, consequentemente, preocupado com o momento em que vivemos.



P.S.: Nunca é tarde para aprender. Este vídeo do PC Siqueira é uma ótima introdução para compreender, superficialmente, o que difere a esquerda da direita e escolher, de forma consciente, um lado. Não é tudo, mas é um bom começo.





Leia também:


Revolução Russa de 1917:


Isso já é um bom começo. Agora sai do facebook e vai aprender alguma coisa. ;) 

domingo, 7 de setembro de 2014




"As pessoas podem mudar tudo: de cara, de casa, de família, namorada, religião, de Deus. Mas há uma coisa que não se pode mudar, Benjamín. Não se pode trocar de paixão."
Frase tirada do filme argentino O Segredo dos Seus Olhos.





domingo, 17 de novembro de 2013

Da invenção da verdade

Melancólica busca eterna pela verdade
Infinita, insaciável
Como a captura do horizonte
Na ausência de uma verdade absoluta
Inventamos nossa própria realidade
Para nos confortarmos
Para fazer de conta
Que conhecemos as verdades do mundo
E a melancolia da vida é que não existe
E talvez jamais existiu
Uma pedra filosofal
Um santo graal
Uma razão subjacente
Então criamos deuses e lendas
E damos significados à nossa fé
Desconstruímos nosso mundo
Criamos ideologias
Novos mundos
Labirintos em nós mesmos
Destruímos realidades
E descobrimos que a fonte de todas as mágoas
Jaz inconsciente em nosso âmago
Onde cada célula moribunda
Grita ensurdecedoramente
Que a única verdade absoluta
É a efemeridade da nossa existência

terça-feira, 18 de junho de 2013

A primavera brasileira: do pão e circo ao despertar político de um povo.


O povo tomando o congresso nacional em protesto. Fala a verdade, alguém aqui, pelo menos uma vez, sequer imaginou algum dia ver esta cena?
Há cerca de uma semana eu jamais imaginaria que isto iria acontecer no nosso, até então, país de um povo politicamente inerte ou, como os "politicamente corretos" diriam, um povo apolítico. Eu mesmo já me defini assim algumas vezes, e dizia isso cheio de orgulho. Houve um tempo em que ser apolítico me parecia a opção mais sensata.
Lembro que semana passada eu conversava com um colega de trabalho sobre as utopias do povo escandinavo: índices praticamente nulos de analfabetismo, sistema penitenciário capaz de reabilitar cerca de 80% da população carcerária, políticas de crescimento econômico apoiadas em programas culturais e demais conquistas que, para nós, soam intangíveis. Lembro ter falado que isso não é possível em um país como o Brasil pelo fato de sermos um povo acomodado, conformado com a atemporal e igualmente eficaz política do pão e circo, um povo onde o futebol faz parte de 90% das rodas de conversa e as questões de grande impacto nas nossas vidas passam despercebidas.
Particularmente, a minha preocupação com a política é relativamente recente. Apesar de ter crescido em reuniões de partidos políticos, passeatas e demais manifestações onde acompanhava meu pai, a visão política de uma criança é, digamos assim, diferenciada. Nasci após o movimento das Diretas Já, tenho uma lembrança muito vaga sobre o impeachment do Collor e alguns flashes a respeito da morte do PC Farias. Ambas foram cenas que marcaram a minha infância, talvez por estarem na boca do povo na época. Mas, enfim, as discussões políticas nas quais me envolvia era algo como a vantagem de votos de um candidato em relação ao outro, nada mais natural pra uma criança do país do futebol. E, afinal, depois tem uma comemoração bem parecida com a de um time quando sai campeão, não é mesmo? Lembro que, por volta dos 15 anos, notei, durante a campanha presidencial, que não havia em lugar algum uma proposta ideológica clara que me fizesse optar por um partido ou uma coligação específica. Tudo era muito confuso e todos - sem querer fazer alusão à música dos Engenheiros - muito iguais, tal como nos dias de hoje. Percebemos, por exemplo, que o PT é um partido de esquerda mais por causa do símbolo do partido do que pelos projetos e ações da presidentA.
Devido a isso, nunca me filiei e nem votei em candidatos do mesmo partido. Percebi desde cedo que legenda e ideologia não caminham de mãos dadas no nosso país, de tal forma que é possível perguntar para um político o que difere um partido de esquerda de um de direita e ficarmos sem respostas. Entendia então o que mais tarde confirmaria como as minhas primeiras compreensões da decadência do nosso sistema político.
Digo, até com um certo orgulho, que foi a internet que me educou politicamente. Ou melhor, foi graças à internet que me eduquei politicamente, pois vemos aqui uma relação muito mais interessante de aprendizado, diferente dos métodos antiquados e nada atraentes aplicados nas escolas (outro setor que exige uma revolução).
Foi graças à internet que tive contato com movimentos ativistas e pensadores autônomos, sem deveres com governos e instituições que ditam o modo de vida das pessoas, que deram luz a vários dos meus questionamentos e me despertaram a curiosidade sobre conceitos como capitalismo, socialismo, esquerda, direita e porque NENHUM desses "ismos" e conceitos dão certo quando o assunto em questão é o bem-estar coletivo. Conheci diversos pensadores de vanguarda que, assim como eu e você, não estão contentes com o modelo educacional, econômico e político conduzido, não só no Brasil, mas no mundo todo.
Hoje percebo que essa mudança, essa epifania, é algo muito maior do que eu imaginava. Trata-se de um contexto no qual eu e você que está lendo este blog estamos inseridos, é uma revolução. Uma revolução diferente de todas as que a antecederam, onde a informação é a arma principal e a internet, através, principalmente, das redes sociais, é o principal campo de batalha. Estamos vivenciando um neo-iluminismo talvez sequer imaginado pelos grandes pensadores que influenciaram revoluções capazes de mudar as relações geopolíticas do planeta, como a Francesa e a Russa. Uma revolução onde a guerra é lutada com ideias. 
Estamos em um cenário inédito, onde as grandes mídias não são mais formadoras de opinião e sim meras argumentadoras que têm a função de propor debates. 
Hoje nós vemos um Arnaldo Jabor voltando atrás e pedindo desculpas por um comentário infeliz (quem aqui imaginaria uma coisa destas?). E não foi apenas o Jabor, vimos TODA a mídia mainstream voltar atrás e reconhecer as manifestações como um movimento democrático legítimo e não mais apenas uma coisa de "baderneiros que não valem nem vinte centavos". Isso jamais seria visto em um modelo de jornalismo unilateral, tal qual o praticado pela velha e viciada mídia dominada pelas gigantes emissoras e editoras deste país.
A era da informação que estamos vivendo permite que todos sejamos atores na disseminação da informação, capazes, pela primeira vez na história, de analisar a realidade por ângulos diferenciados, onde não é mais mostrado apenas o que é de interesse de uma minoria. Foi isso que impulsionou o Movimento Passe Livre e não permitiu que a manipulação televisiva colocasse o povo contra o povo.
Percebo que enquanto eu me educava politicamente, outras pessoas faziam o mesmo, levando as discussões para os fóruns e redes sociais, onde o povo alienado que só fala sobre futebol entendeu que o circo caríssimo compromete o acesso à saúde e educação de qualidade. Povo este que cansou de sofrer nas mãos de um governo que se intitula do povo, mas que lança mão de políticas neoliberais fadadas à decadência, com foco em um consumismo desenfreado que conduz a um círculo vicioso de endividamentos. Um governo com foco em políticas imediatistas em detrimento de projetos de infraestrutura, educação e inovação que, a longo prazo, trariam melhorias reais para o país.
Aprendemos empiricamente que a política praticada por aqui não permite esse tipo de progresso, pois vemos que todo e qualquer governo tem como base projetos realizáveis no prazo de 4 a 8 anos, visando, é claro, as reeleições.
Não espere que o partido X ou Y irá resolver a situação, o tempo já provou que eles não tem nem capacidade e nem vontade suficientes para isso. Nós precisamos de uma reforma muito maior e mais urgente. É por isso que todos nas ruas repudiam qualquer manifestação partidária que queira aderir aos protestos. Nós fomos enganados todo este tempo por siglas, slogans, símbolos e propaganda. Estamos cansados.
Vimos a máscara da nossa falsa democracia cair ao ver o Estado disparar contra os manifestantes um aparato repressivo não visto desde os tempos da ditadura, o que exige uma melhor análise da democracia que nos é vendida pela propaganda em relação àquela defendida na Grécia antiga. É muito fácil se definir um país democrático quando o povo é inerte e conformista, mas é quando o povo vai às ruas reivindicar seus direitos que uma democracia é colocada à prova.

Não estou dizendo aqui que as manifestações por si só irão mudar a realidade, mas, como a história nos mostra, as manifestações são o começo da mudança, são elas que mostram o descontentamento do povo e até onde ele é capaz de ir para melhorar a sua realidade. Um povo que não protesta, é um povo omisso e conformista.
Esta não será a última manifestação, a revolução é e sempre será permanente. O povo deve se manifestar em oposição a qualquer governo que não cumpra adequadamente o seu papel e, em tempos de impunidades revoltantes, construções de estádios homéricos e superfaturados enquanto pessoas morrem em filas de hospitais e analfabetos funcionais formam-se em universidades, a situação tornou-se intragável.

Nunca, até ontem, eu havia sentido na pele o siginificado da palavra patriotismo e o que é ter orgulho de ser brasileiro. Me emocionei ao ver o povo tomar o congresso exigindo os seus direitos. Pela primeira vez em muitos anos, acredito na capacidade do povo brasileiro em desencadear a mudança necessária para que esse país riquíssimo possa, finalmente, crescer. 

O gigante, sim, acordou.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Black Label Society - Porto Alegre, 14/08/2011

Acabo de chegar de Porto Alegre após ver o show do Black Label Society, banda do motherfucker (como ele gosta de falar) Zakk Wylde e após algumas centenas de kilometros e pouco mais de uma dezena de horas de viagem ao todo.
Chegamos até o Opinião, local onde o show foi realizado às 15h30min e a fila já estava, para a minha surpresa, relativamente bem extensa para o horário. Ficamos por cerca de 30 minutos na fila, até o momento que começou a chover e ficou impossível ficar lá sem ficar encharcado. Para escapar da chuva fomos para um bar temático gaúcho que fica em diagonal ao Opinião. Ficamos na varanda do local tomando umas cervajas e esperando passar o tempo (e a chuva).
Por volta de 19h40min, 20 minutos antes do anunciado, os portões são abertos para a satisfação de quem já não aguentava mais ficar de molho na fila. Trocamos nossos e-mails impressos pelos ingressos e entramos no Opinião, que foi enchendo aos poucos e ficando cada vez mais quente.
Eu e o João, meu colega dos tempos de faculdade, já marcamos lugar na chegada, ficamos num lugar ótimo onde pudemos ter uma visão perfeita do palco. Daí em diante era só ter paciência, e haja paciência nisso, pois ainda tinhamos que esperar duas horas até o show do BLS começar.
O intervalo entre às 20h e às 21h pareceu durar uma eternidade, até a Draco (banda de abertura) entrar no palco e quebrar um pouco a monotonia. Ao menos nos dois minuos iniciais, pois pessoalmente não me agradei com o show da banda, pois não combinou com a ocasião e há no mínimo meia dúzia de bandas no estado que seriam mais capazes de cumprir a missão.
Desse ponto até o final do show da Draco foi mais uma eternidade, a fome começou a bater e se nós saíssemos pra procurar algo pra comer iríamos perder o lugar e, pra ficar ainda mais emocionante, minhas pernas já estavam começando a dar sinal de desgaste graças a todo o tempo que eu estava de pé (consequências da profissão sedentária, é claro). Mais meia hora de espera para a equipe terminar de aprontar o palco e às 22h em ponto começa a tocar a introdução nos PAs.
Um por um, os membros da gang... digo, Black Label vão subindo ao palco até o momento que o Zakk se apresenta com um enorme cocar e liberando a massa sonora (sim, massa sonora MESMO, esse foi sem dúvidas o show mais barulhento que já fui).
Rolaram músicas novas, alguns clássicos absolutos da história da banda (pena que não rolou nada dos tempos de Pride & Glory, mas isso já era esperado), algumas partes chatas na minha opinião como o enorme solo do Zakk (de fato eu não curto os improvisos do Zakk) e o já esperado desfile de guitarras. Ele tocou no máximo 3 músicas com a mesma guitarra e durante o show foi mostrando o seu arsenal, já que ele assina vários modelos clássicos, com destaque para o famoso modelo bullseye.
Saí tão atordoado do show e com um enormo "zunido" no ouvido que nem lembrei de conferir a hora que o show acabou. Mas sem dúvidas valeu a pena a experiência de ver um dos maiores contribuintes do rock em carne e osso.
É notório que o show do BLS chama a atenção pela figura do Zakk Wylde em si. O cara é um ícone tanto na forma de tocar, visual, modelos de guitarras e a característica performance de palco, exceto, é claro, pelo momento Tarzan (quem olhou o show vai saber o que eu digo). Conseguiu criar uma marca publicitária invejável, fez escola no estilo de tocar guitarra e pode-se dizer que é uma das últimas grandes figuraças do Metal.
Vida longa ao ogro, Zakk Motherfucker Wylde!

Set list:
CRAZY HORSE
FUNERAL BELL
BLEED FOR ME
DEMISE OF SANITY
OVERLORD
PARADE OF THE DEAD
BORN TO LOSE
DARKEST DAYS
FIRE IT UP
GODSPEED HELLBOUND
THE BLESSED HELLRIDE
SUICIDE MESSIAH
CONCRETE JUNGLE
STILLBORN


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Kiosk com Slackware

Neste tutorial, irei demonstrar como configurar um kiosk utilizando o Slackware, no qual iremos apenas carregar o xorg para exibição do Firefox em modo fullscreen.

Depois de ter instalado e configurado o Slackware, crie um usuário específico, onde iremos configurar o kiosk. Neste exemplo, iremos criar um usuário com o nome de terminal:
adduser terminal

Após criado o usuário, carregue o gerenciador de janelas:
startx

Inicie o Firefox e defina o site que será exibido no kiosk como página inicial.

Instale o add-on R-kiosk para firefox através deste link.
Este add-on faz com que o Firefox seja executado em modo fullscreen, desabilita todos os menus, barras de ferramentas, comandos de teclado e o botão direito do mouse.

Agora vamos configurar o Slackware para executar o Firefox assim que o modo gráfico for inicializado.
Dentro do diretório /home/terminal crie o arquivo .xinitrc e insira a seguinte linha:
exec /usr/bin/firefox

Configure o firefox para ser executado em modo fullscreen. Para isso, acesso o arquivo /home/terminal/.mozilla/firefox/algumacoisa.default/localstore.rdf e procure pelas linhas:

width="1024"
height="768" />
Defina os valores de resolução desejados nos campos "width" e "height".

Ainda há um problema na nossa configuração. Se deixarmos a configuração como está, quando alguém utilizar o comando ctrl+c, o sistema irá para o modo texto e a conta na qual o Firefox está sendo executado ficará livre para o usuário fazer o que quiser com o sistema, inclusive desconfigurar tudo o que fizemos até agora. Para evitar isso, iremos editar o arquivo .bash_profile no diretório /home/terminal com os seguintes parâmetros:

#!/bin/bash

while true
do
/usr/bin/startx
done
Dessa forma o terminal não irá para o modo texto quando o usuário encerrar o aplicativo com o atalho ctrl+c, ou seja, quando o usuário tentar sair do aplicativo o X simplesmente será reiniciado e tudo voltará a funcionar normalmente.
Agora só falta configurar o Slackware para exibir o browser na tela sem que seja preciso fazer login no sistema, de forma que assim que o terminal for ligado o browser será executado.
Tome cuidado, pois após feita essa configuração nós não iremos mais conseguir logar com outro usuário na máquina, pois a opção de login será desativada.
Para isso, primeiro iremos editar o arquivo inittab:
vim /etc/inittab
E alterar a linha:
1:2345:respawn:/sbin/agetty 38400 tty
por:
1:2345:respawn:/sbin/agetty -n -l /sbin/autologin 38400 tty1
Onde o -n especifica que não queremos que o prompt de login seja apresentado na tela. Já o -l permite invocar um programa específico de login, em substituição ao default (geralmente o /bin/login).
Vamos criar agora o programa de login que será carregado pelo sistema:
vim /sbin/autologin.c
Escreva no arquivo o seguinte conteúdo:
int main() {
execlp( "login", "-f", "terminal", 0);
}
Depois é só compilar:
gcc -o /sbin/autologin /sbin/autologin.c
Edite o arquivo /etc/login.defs e procure por uma linha assim:
#NO_PASSWORD_CONSOLE tty1:tty2:tty3:tty4:tty5:tty6
Mude-a para:
NO_PASSWORD_CONSOLE tty1

Pronto, processo concluído. Para que as alterações sejam processadas para uso futuro sem a necessidade de rebootar o sistema, digite:
init q
E execute o programa que criamos para login automático:
./autologin

Referências:
Slackbook: http://www.slackbook.org
JACK.eti.br: http://www.jack.eti.br/www/

terça-feira, 19 de julho de 2011

Configurando o Zabbix Agent para iniciar automaticamente em servidores CentOS e derivados

No post anterior, demonstrei como configurar o agente do Zabbix para iniciar automaticamente no Debian e em distribuições derivadas, como o Ubuntu.
Essa configuração não é tão simples em todas as distribuições e, como será visto a seguir, no CentOS e distribuições derivadas, como o Trixbox, é um pouco mais complicado, mas também não é nada de outro mundo.

Acesse a pasta /etc/init.d
cd /etc/init.d

Utilizaremos o editor de texto vi para criar o script. Nesse caso, nomeei o arquivo como zabbix_starter.sh:
vi zabbix_starter.sh

Adicione as seguintes linhas no arquivo:
#!/bin/bash
# chkconfig: 2345 95 20
# description: zabbix starter
# This script executes the zabbix agent on the system boot
# processname: zabbix_starter.sh
/usr/local/sbin/zabbix_agentd


Dentro do diretório /etc/init.d, digite:
chmod 755 zabbix_starter.shIsso dará as permissões necessárias para o arquivo ser executado.
Como root, execute o chkconfig para adicionar o script na inicialização do sistema:
sudo /sbin/chkconfig --level 2345 zabbix_starter.sh on

Confira se tudo ocorreu da maneira certa e o script irá ser executado na inicialização:
/sbin/chkconfig --list

Relatório gerado pelo comando /sbin/chkconfig --list
A figura acima mostra que o script zabbix_starter.sh está ativo nos runlevels 2, 3, 4 e 5. O que significa que o script será inicializado com o sistema.
Clique aqui para maiores informações sobre como funciona o runlevel no Linux.


Troubleshooting

Em alguns servidores eu me deparei com a seguinte mensagem de erro:
service doesn't support chkconfig

Esse erro ocorre porque existe um rótulo SELinux que não permite que o arquivo seja executado na inicialização do sistema.
Muitos serviços são executados com seu próprio rótulo SELinux e como o script que criamos não o possui, não irá ser executado.
Para resolver isso, iremos utilizar os seguintes comandos:
chcon system_u:object_r:initrc_exec_t:s0 zabbix_starter.sh

Configurando o Zabbix Agent para iniciar automaticamente no Debian e derivados

Quem trabalha com o Zabbix sabe bem o quanto essa ferramenta é poderosa no que se refere a gerência de redes de computadores, mas como nem tudo é perfeito, o Zabbix tem um inconveniente: toda vez que um servidor Linux é reiniciado é preciso acessar o servidor e "dar um start" no agente.
O problema é pior ainda quando ocorre queda de energia e todos os servidores monitorados são desligados, daí é aquela odisséia de ir em servidor por servidor para iniciar o agente.
Para evitar esse trabalho de presidiário, irei mostrar nesse tutorial como configurar o Zabbix Agent para iniciar junto com os principais processos do sistema. É um procedimento bastante simples, mas que economiza um bom tempo do administrador da rede.

1. Acesse a pasta /etc/init.d
cd /etc/init.d
2. Utilizaremos o editor de texto vim para criar o script. Nesse caso, nomeei o arquivo como zabbix_starter.sh
vim zabbix_starter.sh
3. Adicione as seguintes linhas no arquivo:
#!/bin/bash
/usr/local/sbin/zabbix_agentd
4. Dentro do diretório /etc/init.d, digite:
chmod 755 zabbix_starter.sh
Isso dará as permissões necessárias para o arquivo ser executado.
5. Por último, iremos utilizar o comando update-rc.d para atualizar os diretórios rc.d, adicionando o script na inicialização do sistema:
update-rc.d zabbix_starter.sh defaults



terça-feira, 7 de junho de 2011

Projeto de Lei 5476/2001 - cancelamento da assinatura do telefone fixo

Recebi essa informação por e-mail e resolvi passar adiante, afinal, essa é uma das poucas "correntes" que vale a pena. Acho que todo mundo que quer acabar com essa palhaçada das operadoras de telefonia cobrarem taxas abusivas de "manutenção de serviço" devem fazer a sua parte, ligar para o 0800 619619 e votar no Projeto de Lei nº 5476 de 2001. Este projeto está tramitando na Comissão de Defesa do Consumidor e, se aprovado, o projeto passará a ser lei e cada um pagará somente pelas ligações telefônicas efetuadas, acabando com esse roubo que é a assinatura mensal.É só ligar para 0800 619619 e quando a secretária eletrônica atender, digite 1, 1, 1. Assim você votou a favor do cancelamento da taxa de telefone fixo. Trata-se de um serviço da Câmara dos Deputados Federal e funciona das 8 às 20h. Quanto mais pessoas ligar, maior a chance de ser aprovado.Esse tipo de assunto NÃO é veinculado na TV ou no rádio porque eles não têm interesse e não estão preocupados com isso. Portanto, nós temos que correr atrás, afinal, quem paga somos nós.Lembre-se, é ligação 0800, você não estará perdendo nada, só terá a ganhar.
Divulgue isso, pois quanto mais pessoas se mobilizar, melhores serão os resultados.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Zabbix: personalização de itens para o monitoramento de comutadores de pacotes utilizando o protocolo SNMP


Como o protocolo SNMP é atualmente o padrão para o monitoramento de ativos de rede, a grande maioria dos equipamentos de comutação de pacotes já vêm de fábrica com um agente SNMP instalado em seu hardware, sendo necessária apenas a configuração de alguns parâmetros que deve ser feita pelo administrador/gerente da rede.
Neste artigo, irei descrever passo-a-passo como criar itens no Zabbix para monitorar switches utilizando o protocolo SNMP.

1. Configuração do comutador de pacotes


Primeiramente, é necessário habilitar o suporte ao protocolo SNMP no painel de controle do equipamento que será monitorado. Após isso, deve-se definir os nomes de comunidades.O protocolo SNMP usa o conceito de comunidades para definir a confiabilidade entre o agente e aquele que está requisitando as informações do agente, que pode ser um software de gerência de redes ou alguém disparando comandos SNMP em um determinado nó da rede.
Uma comunidade é, resumidamente, uma variável do tipo string ou,
se quisermos simplificar ainda mais, uma senha que será usada pelo administrador da rede para ter acesso as informações do equipamento, como uptime, tráfego de pacotes e etc. Pode ser definida de três formas: read-only, read-write e trap, sendo que atualmente os comutadores disponíveis no mercado disponibilizam apenas dois campos para o preenchimento, um para definir a comunidade do tipo read-only e outro do tipo read-write.
Uma comunidade read-only permite ler valores de dados, sem modificálos, já uma comunidade read-write permite a leitura e modificação dos valores de dados.

Figura 1 - Tela de configuração do agente SNMP em um switch Cisco Catalyst 2960-S

2. Monitorando OIDs

Muitas vezes, os sistemas de gerência de rede não trazem todos os itens pré-configurados para o monitoramento de todos os equipamentos e serviços utilizadados em um determinado ambiente, portanto, caberá ao gerente da rede configurar esses itens e informar ao sistema de gerência de rede os parâmetros utilizados para acessar as informações necessárias que podem ser disponibilizadas pelo agente. Para descobrir quais são esses parâmetros é necessário usar o SNMP.
Neste caso, será monitorado o tráfego de dados nas portas de um comutador de rede. Para isso, é utilizando o comando snmpwalk, que é utilizado para listar os parâmetros SNMP existentes em um determinado dispositivo de rede.
A sintaxe padrão do snmpwalk é: snmpwalk -v 3 -c comunidade IP, sendo que a função de cada parâmetro utilizado no comando é:
a) snmpwalk: listar os parâmetros SNMP no dispositivo de rede que será monitorado;
b) -v 3: versão do SNMP utilizada pelo agente, pode-se usar as opções -v 1 (SNMP Versão 1), -v 2c (SNMP Versão 2), -v 3 (SNMP Versão 3);
c) -c comunidade: Nome da comunidade SNMP declarada no arquivo de configuração do agente. Precisa ter no mínimo direito de leitura;
d) IP: endereço IP do equipamento que deseja-se ler as informações.
O comando snmpwalk traz uma quantidade enorme de informações sobre o dispositivo requisitado, sendo que muitas dessas informações podem não ser de interesse do administrador da rede em determinado momento, por isso, é possível filtrar as informações que se deseja ter acesso. Neste caso específico, iremos monitorar as portas de um comutador de pacotes, portanto acrescentaremos o parâmetro interfaces ao comando para que ele filtre apenas as informações referentes as interfaces do equipamento. O comando usado para isso será snmpwalk -v 3 -c comunidade IP interfaces.
Para monitorar o tráfego de entrada e saída de dados em uma determinada porta de
um comutador de pacotes deve-se analisar os parâmetros ifInOctets e ifOutOctets gerados pelo comando snmpwalk, onde ifInOctets refere-se ao tráfego de entrada de dados em bps (bits por segundo) em uma determinada porta do comutador e ifOutOctets representa o tráfego de saída de dados, também em bps.

Figura 2 - resultado gerado através do uso do comando snmpwalk

Vamos analisar um dos parâmetros gerados pelo snmpwalk:

IF-MIB::ifInOctets.10101 = Counter32: 3316021136

a) IF-MIB::ifInOctets.10101: este parâmetro se refere ao tráfego de entrada de dados (ifInOctets) na porta 1 do comutador (10101). Note que este é um parâmetro utilizado pelo modelo Cisco Catalyst 2960-S. Ao executar um comando snmpwalk em modelos e ou marcas diferentes os parâmetros obtidos serão diferentes. Por exemplo, em um comutador D-Link, o parâmetro utilizado é ifInOctets.1. No caso específico do comutador da Cisco que está sendo utilizado neste estudo, é possível identificar as portas analisando os dois últimos digitos após ifInOctets, como é possível notar na figura 2.
b) Counter32: define que o parâmetro usa uma variável de 32 bits com valor mínimo de 0 e máximo de 2
32-1. É basicamente utilizado para rastrear informações, como o número de octetos enviados e recebidos em uma interface ou o número de erros e descartes encontrados em uma interface.
c) 3316021136: é o resultado gerado. Indica que estão entrando 3316021136 bps na porta 1 do comutador.

3. Criação de template para monitoramento de comutadores CISCO Catalyst 2960-S

O Zabbix é uma NMS (Network Management System) que trabalha com o conceito de itens e templates.Um item é formado por um conjunto de campos onde é informado ao Zabbix os dados necessários para que ele faça as requisições ao agente, seja este agente SNMP ou o próprio agente do Zabbix. Em um item são definidos quais parâmetros de uma MIB serão monitorados (CPU, interfaces, uptime, etc).Uma template é uma coleção de itens. Este conceito facilita consideravelmente o trabalho do gerente da rede. Por exemplo, em um ambiente onde se possui vários switches do mesmo modelo e se necessita monitorar os mesmos parâmetros, como o tráfego de rede de cada uma das portas, o procedimento se resumirá em criar os itens uma única vez e salvá-los como template. Após isso, bastará adicionar os demais switches na template para que todos eles herdem as configurações predefinidas, não havendo a necessidade de repetir o processo de criação de itens para cada um dos switches monitorados.
Para criar uma template no Zabbix basta clicar na aba Configuração, Hosts, selecionar a opção Templates e clicar em Criar Templates. Após, basta preencher os campos conforme a imagem abaixo.

Figura 3 - Tela de edição de template do Zabbix

a) Nome: nome que será atribuído à template que está sendo criada;b) Grupos: permite adicionar grupos de hosts relacion
ados à template;c) Novo grupo: caso o grupo que se deseja adicionar ainda não exista, basta preencher este campo para a criação de um novo grupo;d) Hosts|Templates: permite adicionar os hosts que herdarão os itens definidos na template.


4. Criação de itens para monitoramento de comutadores CISCO Catalyst 2960-S

Para criar um item, basta clicar na aba Configuração, Hosts, selecionar a opção Itens e clicar em Criar item. Após isso, deve-se preencher os campos conforme a imagem abaixo.
Figura 4 - Tela de edição de item do Zabbix

Para configurar um item, é preciso ter em mãos algumas informações adquiridas anteriormente com o uso de comandos SNMP. a) Tipo: Versão do agente SNMP;b) Comunidade SNMP: Nome da comunidade. Deve ser a mesma comunidade configurada no equipamento;c) SNMP OID: Valor adquirido com o uso do comando snmpwalk;Ex.: IF-MIB::ifInOctets.10101, IF-MIB::ifInOctets.10102, etc.d) Chave: Chave do valor que será lida (ifInput.1, ifOutput.1, etc);e) Unidades: Unidade que será exibida as informações (bps, B, etc);f) Intervalo atualização (em seg): Tempo de atualização dos gráficos;
g) Armazenar valor: define se o valor será armazenado como Delta (alterações/seg), Delta (alterações simples) e Sem alterar, que foi a opção escolhida neste estudo de caso, pois os demais valores, quando utilizados, não corresponderam ao resultado gerado pelos comandos SNMP.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Getting start on Tolkien's Fellowship of the Ring



Well, finally I started to read the most famous book from one of my favorites writers ever.
I've started my book's reader life with The Hobbit and that was the best first experience with books that I could have. Some years ago I read the Silmarillion and there was no return: I've became a Tolkien's addicted.
Only yesterday I could start to read the The Lord of the Rings and the first fifty pages was amazing.
Obviously is a waste of time to compare the abundance of details that has in a book with the "commercial appeal" from the movies and although I've enjoyed the Peter Jackson's movies it's being terrific to know all the details about the begining of the Fellowship of the Ring.
Unfortunately I only will go ahead on the Monday. This weekend will be troubled. I'm counting the days to start the second chapter yet.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Paco Ibáñes


Chega a ser vergonhoso dizer isso, mas fazia um bom tempo que eu não ouvia uma música que me deixasse com vontade de dar um play, depois um replay e ouvir várias vezes seguidas até dizer chega. Muitas vezes tudo é muito previsível, principalmente pelo triste fato de termos poucos artistas com identidade, muitas vezes o que vemos, ouvimos e lemos é apenas mais do mesmo.
Pois bem, hoje pela manhã ao fazer a minha leitura diária do blog do escritor José Saramago (que ainda é atualizado diariamente, por mais bizarro que isso pareça) encontrei em um dos posts um link para a página do músico espanhol Paco Ibáñes e pra minha surpresa, fui surpreendido.
Que contraste entre calmaria e tensão! Que interpretação!
Pois bem, não vou me reter à descrições, aí está o link com a música:
http://www.aflordetiempo.com/argeles.htm

sexta-feira, 7 de maio de 2010

26/04/2010 - That one night!

Em 2008 eu tive a primeira chance de ver uma das bandas que mais idolatrei em toda minha vida, pois finalmente o Iron Maiden colocou Porto Alegre na rota de uma das mais ousadas turnês da história da música e a maior tour da história da banda, na qual eles tocaram alguns de seus maiores clássicos, relembrando a Live After Death tour, o momento em que o Iron Maiden esteve no topo do mundo.
Assim que se iniciaram as vendas consegui comprar meu ingresso através de quem na época era a futura ex-namorada de um conhecido meu. Chegando o tão esperado dia do show, fui enfrentar 12 horas de fila junto com mais alguns amigos, esperando ansioso por aquele que seria (ao menos era o que eu esperava) o maior show de minha vida. Porém, graças a Opinião produtora, responsável pela "organização" do evento, pude aproveitar muito pouco o show do Iron Maiden. O Gigantinho, local onde foi realizado o show, estava superlotado, quase não havia circulação de ar, as pessoas estavam sendo esmagadas umas pelas outras e era comum ver pessoas desmaiadas sendo carregadas para fora do ginásio. Resumindo, foi um verdadeiro caos, e devido a todos estes percalços não foi possível aproveitar o show do Iron Maiden da forma como deve ser aproveitado um show do Iron Maiden. Infelizmente o primeiro grande show da minha vida foi frustrante.
Pouco mais de dois anos depois, após ter perdido alguns shows de outras grandes bandas que passaram por nossa capital, surge a oportunidade de presenciar uma outra banda que me influenciou a ter cabelos compridos, colecionar CDs e revistas, revirar a internet a procura de material raro e a sonhar em viajar pelo mundo tocando para grandes públicos. Sim, pela primeira vez na história, o Megadeth visita Porto Alegre, e esse show eu não poderia perder de forma alguma.
O local do show desta vez foi o Pepsi On Stage, um local projetado pra este tipo de evento, com uma estrutura bem mais apropriada do que um Gigantinho, por exemplo. Também como o Megadeth não tem a mesma popularidade exorbitante do Iron Maiden não foi preciso quarar por várias horas na fila, o que me possibilitou fazer alguns passeios por Porto Alegre antes de dirigir-me ao local do show por volta de 18 horas.

O que eu tinha falado mesmo sobre quarar na fila? É verdade que não tivemos que aguardar tanto tempo quanto na fila pro show do Maiden, mas a abertura dos portões atrasou por cerca de uma hora e meia e a espera pela abertura dos portões parecia durar por uma eternidade. Nessas alturas eu já estava pensando com meus botões se eu era um típico pé-frio pra shows, pois só o que me faltava que o show do Megadeth fosse a mesma bagunça que foi o do Iron Maiden.
22:00h, finalmente abrem-se os portões, e somos recepcionados pela performance da Distraught, banda de Porto Alegre que já estava no palco quando colocamos os pés dentro do Pepsi on Stage.

Logo de cara, a primeira impressão que se teve era de que sem dúvidas aquela seria a noite do Thrash Metal em Porto Alegre. E que noite, o show da Distraught deixou todos no clima e após isso viria o motivo pelo qual todos realmente estavam lá: por volta das 23:00h sobe ao palco um dos maiores ícones da história do metal, um dos Big Four do Thrash Metal, liderada por uma das maiores personalidades da música. Eu não podia acreditar, realmente eu estava num show do Megadeth.

Primeiro, Shaw Drover aparece atrás da bateria, logo após, o mais novo membro da banda, Chirs Broderick, seguido por David Ellefson que finalmente estava de volta ao Megadeth e finalmente Mr. Dave Mustaine estava à minha frente.
Não farei aqui resenha alguma das músicas que foram tocadas, pois já há boas resenhas do que rolou em sites como whiplash.net. Apenas registro aqui, uma das maiores noites da minha vida, a noite em que presenciei a execução impecável de um Rust in Peace tocado na íntegra, um Chirs Broderick destruindo a guitarra e mandando solos complexos com tanta naturalidade, fazendo parecer que o Rust in Peace é um album simples de se tocar. Tudo isso somado ao carisma e presença de palco, não apenas do Chris, mas de todos os membros. A impressão que se tinha ao ver o Mustaine no palco era de que aquele era um show tão especial pra ele quanto foi pra nós, fãs. Toda a energia empreendida, as músicas interpretadas com a emoção que uma música do Megadeth exige: aquele contraste entre vocais insanos e belas baladas que só o Mustaine sabe fazer.

No final do show, o Mustaine aplaudiu a multidão, que deu um show à parte também, demorando algum tempo pra sair do palco, curtindo o momento tanto quanto nós, fãs.

Após sair do Pepsi on Stage eu não acreditava no que tinha visto. Acho que vai ser bastante difícil eu presenciar um show daqueles novamente.

Sem dúvidas o Megadeth provou que é uma das maiores bandas da atualidade pelos seguintes motivos: tem uma discografia invejável, uma formação estável (acredito que agora podemos dizer isso), uma performance impecável e qualidade técnica inquestionável.

26/04, that fucking night. Valeu a pena as 7 horas de viagem até POA, valeu a pena cada centavo investido e, sem dúvidas, se o Megadeth vier novamente, eu vou.

Após o show, Dave Mustaine e David Ellefson soltaram algumas notas falando do quanto foi incrível o show de Porto Alegre e o próprio Mustaine confirmou que o show Porto Alegre foi o melhor do Megadeth no Brasil. Espero que eles repitam a dose logo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Changes


Não há como negar: humanos e pássaros têm muito em comum.
Assim como os pássaros migram para fugir do inverno rigoroso e preservar suas vidas nós migramos, muitas vezes sem direção, na esperança de melhorar nossas vidas, na esperança de que as coisas mudem para melhor.
Quando um humano decide ser nômade assim como as aves, acaba experimentando um misto de medo do que está por vir e medo de não vivenciar mais o que está deixando para trás. Medo de que aqueles momentos descontraídos com os bons amigos se tornem raros, de que as pessoas que são especiais acabem se tornando apenas lembranças.
Há alguns anos atrás, quando as minhas idéias eram ainda mais confusas e vivia naquele marasmo que as cidades pequenas geralmente proporcionam disse para mim mesmo: "quero que as coisas sempre mudem na minha vida, não quero viver mais nessa rotina, quero coisas diferentes, sempre". De alguma forma ainda penso assim, porém, hoje acredito que algumas coisas não deveriam mudar.
Como seria bom se os bons amigos sempre estivessem por perto e que nós pudéssemos levar a vida com todos eles em volta. Mas não há escapatória, para que as coisas aconteçam precisamos arriscar e pagar o preço, por mais alto que seja e, quanto maior o sonho, maior é o preço a se pagar.
Portanto, é necessário ser forte, afinal, as pessoas que realmente são especiais em nossas vidas resistem ao teste do tempo e os bons momentos que foram vividos ao lado dessas pessoas sempre estarão guardadas em um lugar especial em nossa memória, e neste caso, em minha memória.
Jamais vou esquecer todos os grandes amigos que fiz durante minha caminhada, que me surpreenderam e que mostraram que tem muitas pessoas que valem a pena se conhecer e são essas pessoas especiais que me dão força e que me faz ter certeza de que vale a pena, por mais dolorosa que seja a mudança que minha vida nômade impõem, seguir em frente, afinal, é inevitável que com o desenrolar de nossas vidas as coisas mudem.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Foi Kurosawa quem me disse...


“Há muito tempo atrás, ao chegar num pequeno vilarejo, um viajante que estava doente morreu perto da ponte. Os aldeões ficaram com pena e o enterraram ali mesmo. Puseram uma grande pedra sobre o túmulo e depositaram flores sobre ela. Pôr flores ali tornou-se então um costume. Não apenas as crianças, mas todos os aldeões passaram a pôr flores ao passar pela pedra, embora a maioria não saiba sequer por que o faz.”

Akira Kurosawa – Yume (Dreams)


A narrativa acima aparece no filme Yume de Akira Kurosawa, um filme que cujo roteiro é baseado numa série de sonhos marcantes que o autor teve ao longo de sua vida e, esta história em especial me chamou muito a atenção, pois nela podemos encontrar claramente um contexto no qual eu, tu que estás lendo este texto e todos os outros moradores desta esfera esfumaçada em que vivemos têm inserido no seu “modus vivendi” como se fosse um chip implantado em nosso cérebro de tal forma que ninguém sabe ao menos o porque dele estar ali. Estou me referindo àquilo que chamarei neste texto de Tradição Alienada.

Tu deves estar te perguntando que diabos eu quero dizer com isto, não é mesmo? Senão, que bom, pois eu poderia encerrar este texto por aqui mesmo. Mas como suponho que nem todos necessitam ter tamanho poder de compreensão à primeira vista, explicarei o termo ao qual me refiro.

De todas as atividades humanas, provavelmente é na religião onde encontrarei os exemplos mais claros de tradição alienada.

Por motivos que não se sabe o porque, as pessoas fazem sinais da cruz ao passar na frente de uma igreja, ou então acreditam que não devem fazer mal porque tem um purgatório, um inferno, ou vários outros pretextos usados por diferentes religiões para tentar controlar o comportamento alheio como, por exemplo, se o único motivo para não matar o melhor amigo fosse o medo de ir pro inferno. Porém, pergunte pro crente mais fiel ou pro padre mais próximo o porque de todas essas crenças. Provavelmente ele lhe citará um texto decorado da bíblia como de costume, mas quanto mais suas dúvidas forem aumentando, menores serão as qualidades das respostas, até que se chegue há frase definitiva: “Deus le volt”, ou, “porque Deus quer assim”. Porém não sabemos de onde vêm todas estas crenças, e elas se espalham de forma descontrolada. De pai para filho elas sobrevivem, se adaptam e sofrem mudanças durante os tempos, assim como uma boa tradição alienada deve ser: boa o suficiente para acalmar aquele que quer ouvir as palavras que deseja e péssima para os céticos.

Já no mundo das artes, um amigo meu me abriu os olhos para um típico caso em que a tradição se sobrepõe ao pensamento autoral: todos já devem ter ouvido falar que Beethoven era um gênio da música, que Mozart também era genial, e essa informação passa diariamente de boca em boca e muita gente diz sem pestanejar: “cara, Beethoven é um gênio!”. Mas pergunte para uma dessas pessoas porque Beethoven é um gênio. Garanto que 9 em 10 pessoas que discursam firmemente sobre este assunto não saberão lhe responder o porque, exatamente por que apenas ouviu alguém falar sobre a genialidade de Beethoven e saiu proferindo como um profeta bêbado e desvairado um assunto que ele não tem domínio algum.

Não quero dizer com este texto que todas as tradições são más ou erradas, mas sim que devemos ter um pé atrás pra qualquer tipo de informação que assimilamos no dia-a-dia. Que se corra atrás da verdade. É necessário um pouco mais de questionamento e não apenas o “é assim por que tem que ser assim”.

Não há situação mais deplorável do que a constante decadência imposta por igrejas e demais grupos manipuladores que apenas empurram goela abaixo as suas pregações decadentes e supram a capacidade de pensar, a identidade e a personalidade das pessoas. Essas fábricas de robôs humanóides, porque já não sei mais se é possível chamar de humano aquele ser que já não tem mais a capacidade de pensar por si próprio.

Quando passamos a agir de acordo com tradições que não sabemos de onde vieram e passamos a criar hábitos que não sabemos para que servem deixamos de ser humanos, deixamos de ser ser pensante e perdemos aquilo que nos difere de uma máquina de produção em massa, que faz as tarefas que deve fazer todos os dias, porém, não sabe porque, pra quem e nem como faz aquilo, apenas faz, dia após dia, até que pare de funcionar e seja jogada fora para que outra máquina tome o seu lugar e mantenha a fábrica funcionando, afinal, fábricas precisam de dinheiro e máquinas que a façam lucrar, assim como igrejas, emissoras de tv, multinacionais, revistas e demais propagadoras de tradições alienadas em massa.